segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Abertura das olimpíadas Rio 2016

O “Washington Post” diz em sua chamada que o “Rio traz seu estilo sambista à cerimônia de abertura da Olimpíada de Verão”. O jornal lembra das dificuldades e más notícias nas preparações para os Jogos, mas conclui que “por uma noite, ao menos, o Rio de Janeiro expôs o que faz de melhor. Este é um país especialista em folia, que todos os anos enche suas ruas com uma alegria inebriada, dançarina de quem beija estranhos no Carnaval. A batida do samba, as plumas e lantejoulas, as modelos e atletas: os brasileiros se prepararam para a cerimônia de abertura durante anos”.
O “New York Times” narrou a cerimônia de abertura em tempo real, através de seus enviados especiais ao Rio e espaço para comentários, inclusive com alguns brasileiros explicando a leitores de outros países o contexto de alguns trechos e homenagens.
O texto do jornal sobre a cerimônia, assinado por Simon Romero, afirma que "a cerimônia de abertura dos Jogos disfarçou feridas brasileiras por algumas horas e deixou o país celebrar sua história". Escreve também que "se há uma nação que precisa de um espetáculo inspirador neste momento, mesmo em forma de um exercício de relações públicas, é o Brasil".

Romero cita que o Brasil é o primeiro país sul-americano a receber a Olimpíada, em uma supreendente combinação de turbulência política e instabilidade econômica - sem se esquecer de citar a epidemia do vírus da zika, das águas poluídas e dos cortes no orçamento "tão profundos que as operações básicas tornaram-se tensas".

O correspondente do "New York Times" citou Alberto Santos Dumont como "o aristocrata bon vivant que brasileiros creditam ter inventado o avião" e elogiou o "orçamento-consciente" da cerimônia - que mesmo assim foi de "bom gosto" e "deslumbrante". Ele fez um contraponto com as cerimônias dos Jogos de Verão de Perquim (2008) e de Inverno de Sochi (2014), que China e Rússia usaram como uma "demonstração de força".

Abertura dos jogos

No dia 1 de agosto de 1936, Hitler fez a abertura da 11ª Olimpíada. Orquestras e bandas dirigidas pelo famoso compositor Richard Strauss saudaram a chegada do ditador para uma platéia de maioria alemã. Centenas de atletas usando trajes esportivos de gala marcharam pelo estádio, um time de cada vez, por países em ordem alfabética. Inaugurando um novo ritual olímpico, um atleta corredor carregava uma tocha que havia sido acesa no local onde foram disputadas as antigas Olimpíadas, a Grécia.
Quarenta e nove equipes de atletas de todo o mundo competiram nos Jogos de Berlim, um número maior que em qualquer Olimpíada anterior. A Alemanha apresentou a maior equipe, composta por 348 atletas. A equipe americana era a segunda em número, com 312 membros, entre eles 18 afro-americanos. O Presidente do Comitê Olímpico Americano, Avery Brundage, comandou a delegação. A União Soviética não participou dos Jogos em Berlim.

FATOS IMPORTANTEs

O ano de 2016 marca o octagésimo aniversário dos Jogos Olímpicos realizados em Berlim, em 1936.
A Alemanha utilizou os Jogos Olímpicos com propósitos propagandísticos. Os nazistas criaram uma imagem de uma nova Alemanha, forte e unida, ao mesmo tempo em que mascarava as políticas anti-semitas e racistas de seu regime, assim como o crescente militarismo daquele país.
Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, o povo europeu e o norte-americano conclamavam seus governos a um boicote às Olimpíadas devido ao abuso dos direitos humanos no país anfitrião.
Embora o movimento de boicote não tenha obtido sucesso, ele abriu um importante precedente para que futuras campanhas chamassem a atenção mundial para os abusos dos direitos humanos contemporâneos nos países que hospedam os Jogos Olímpicos.

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este blog é organizado por alunos da turma 300 do colegio John Wesley

terça-feira, 14 de junho de 2016

Soberania da raça ariana foi o principal foco das olimpiadas




A imagem do ditador alemão hoje é parte de uma história bem conhecida. Hitler é sinônimo do mal no século XX. O horror dos campos de concentração, o genocídio, 50 milhões de mortos, Segunda Guerra Mundial. Até aí o mundo conhece.
Mas é necessário imaginar um outro Hitler, de antes da guerra, o líder alemão de 1936. Desde 1933 no poder, ele era admirado e popular. E não só na Alemanha. Os judeus já eram perseguidos pelos nazistas, mas o antissemitismo era um traço relativamente comum em muitos países cristãos.
E no sul, na Baviera, a parte católica da Alemanha, onde o nazismo era forte, se escolheu duas cidadezinhas para sediar as Olimpíadas de Inverno. As vizinhas Garmisch e Parterkichen ainda são bibelôs, tudo bonitinho, arrumadinho e organizado.
Tudo funcionou perfeitamente apesar de 10 mil alemães em uniforme e bandeiras com suásticas por todo lado. 28 países participaram. As estátuas e um estádio para saltos ainda são os mesmos daquela época, no inverno de 1936.

O sucesso das Olimpíadas foi tal que os alemães conseguiram algo inédito: o direito de sediar os Jogos Olímpicos seguintes, de 1940, foi dado novamente para Garmisch e Partenkirchen.
Mas não foi só na área esportiva que as Olimpíadas renderam. A comunidade internacional apoiou tanto a Alemanha que Hitler se sentiu forte o suficiente para ousar algo arriscado politicamente.
Três semanas depois do fim dos jogos, Hitler ordenou a reocupação militar da Renânia, território alemão, algo que depois da Primeira Guerra tinha sido proibido pelo Tratado de Versalhes. Foi feito sem quase um pio de reclamação.
As Olimpíadas tinham dado a Hitler, ao sediar um evento de maneira impecável, uma imagem boa, amistosa e confiável. Meses depois, em agosto, era hora do mais importante, os Jogos de Verão, quando 49 países participaram.
O primeiro dia foi um sucesso, Hitler, ovacionado como nunca, colhia os louros de uma ideia que a principio os nazistas eram contra. Nas Olimpíadas anteriores, em Los Angeles, em 1932, eles disseram que era um evento onde se via pessoas competindo contra animais.
O racismo era evidente, mas o público alemão se entusiasmou com o grande atleta das Olimpíadas de Berlim, o americano Jesse Owens, que ganhou quatro medalhas de ouro. Uma delas inesperada porque no revezamento 4x100 ele não estava escalado. Mas, para agradar Hitler, a delegação americana tirou da equipe dois corredores judeus que foram substituidos por Owens e outro corredor negro.
O mito de que Hitler não quis cumprimentar Jesse Owens é apenas isso, um mito. Segundo o historiador alemão Arnd Kruger, PHD da Universidade de Colônia, depois do primeiro dia de competições, Hitler foi orientado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) que deveria cumprimentar todos os medalhistas. Como não poderia estar presente em todas as competições, optou por não cumprimentar ninguém.
A Alemanha ficou em primeiro lugar geral, com 89 medalhas, longe, à frente dos Estados Unidos. Hitler gostou tanto dos Jogos Olímpicos que disse que, no futuro, todas as Olimpíadas seriam na Alemanha.
Ele chegou mesmo a planejar um estadio para 400 mil pessoas. Para ele ficou muito claro que o maior espetáculo esportivo do mundo era o palco perfeito para mostrar e difundir a mensagem nazista de superioridade alemã.
Essa mensagem não vingou, mas outras sim. Os nazistas tinham o senso do espetáculo grandioso, algo fundamental nas reuniões politicas deles. Os nazistas foram os primeiros, mas daí foi um passo para disseminar a ideia de que o esporte era um instrumento ideal para um país se exibir para o mundo.
Arnd Kruger conta que as Olimpíadas de Berlim foram as últimas vistas pelo Barão de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, que disse que tinham sido os melhores de todos os tempos.
Perguntado sobre esse lado de propaganda, Coubertin disse que Los Angeles, em 1932, tinha usado os jogos para promover o turismo na Califórnia e que, se o governo da Alemanha nazista tinha feito o mesmo com intuito político, ele não se importava. Que o mais importante, para ele, era que as Olimpíadas crescessem. Algo que não parou de acontecer, assim como o uso e abuso do esporte na política.
Jornal da Globo

As olimpíadas, o nazismo e o Brasil

Berlim foi eleita para receber os Jogos Olímpicos de 1936 cinco anos antes, quando o nazismo ainda não tinha chegado ao poder na Alemanha. Com a ascensão do Terceiro Reich, porém, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tentou tirar os Jogos dos alemães, sem sucesso. Os norte-americanos, inclusive, programaram os Jogos Alternativos em Barcelona, cancelados devido à Guerra Civil Espanhola.
 
Os nazistas não pouparam esforços para fazer da Olimpíada propaganda do regime. Os melhores engenheiros do Reich projetaram o Estádio Olímpico, que custou US$ 30 milhões. Todas as grandes indústrias alemãs colaboraram, visando fazer dos Jogos um momento histórico para a glória de Adolf Hitler
 
Um memorando secreto transmitido no dia 18 de julho de 1936 para todas as forças de segurança advertia: "O desenvolver grandioso e sem incidentes dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, é da maior importância para a imagem da nova Alemanha aos olhos de nossos convidados estrangeiros".
 
A Olimpíada de Berlim obteve grande êxito popular, com mais de 3 milhões de espectadores nas arquibancadas. O evento também pôde ser acompanhado por meio de uma novidade: a televisão. Além disso, o regime encomendou a Leni Riefenstahl, a cineasta oficial do Reich, a realização de um documentário oficial, chamado "Deuses do Estádio".
 
Berlin foi também a última Olimpíada antes da Segunda Guerra Mundial. À época, já se ouvia na capital da Alemanha rumores de uma luta que acabaria por devastar a Europa. O conflito eclodiria em 1939, e as duas edições seguintes dos Jogos, programadas para Tóquio-1940 e Londres-1944, foram canceladas.
 
Rixa quase evita participação do Brasil
 
Um ano antes de Berlim-1936, o Brasil ainda não sabia qual a entidade responsável pela organização da equipe que iria à Alemanha. Até 1935, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) era quem organizava as delegações olímpicas do país. A criação do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) no mesmo ano armou a confusão. As entidades brigaram para ver quem levaria os atletas a Berlim. A disputa só foi decidida na véspera do embarque, em favor do COB, depois que a CBD concordou em fundir as equipes.
 
Após todo esse conflito, o Brasil foi para a Alemanha com 95 atletas (sendo seis mulheres), o maior número até então. Nas competições, os brasileiros mais uma vez ficaram sem medalha. Foi a última vez que o Brasil saiu de uma Olimpíada sem nenhuma conquista.
 
Das dez modalidades em que os brasileiros foram inscritos, os melhores resultados vieram na natação e no atletismo. A nadadora Piedade Coutinho chegou em quinto lugar nos 100 m livre. Para azar da brasileira, duas das melhores nadadoras da história participaram dessa decisão: a holandesa Hendrika Mastenbroeck, ouro, e a dinamarquesa Ragnhild Hveger, prata.
 
No atletismo, Sylvio de Magalhães Padilha correu os 400 m com barreiras em 54s e ficou com a quinta colocação. Campeão brasileiro de basquete, atletismo e integrante da equipe de polo aquático em Los Angeles-1932, Padilha prosseguiu no esporte como dirigente e chegou à presidência do COB na década de 1960.
 
O Brasil também participou da estreia do basquete nos Jogos Olímpicos com sua equipe masculina. Ficou na oitava colocação.